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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Paróquia De Jardim Do Seridó celebra jubilosamente os 100 anos da chegada e entronização da atual imagem da Padroeira NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO


  • Hoje, 26, a Paróquia De Jardim Do Seridó celebra jubilosamente os 100 anos da chegada e entronização da atual imagem da Padroeira NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO. Confira, na íntegra, um artigo feito pelo Pesquisador da História do Seridó Sebastião Arnóbio de Morais, Secretário da Paróquia, sobre este dia 26 de novembro de 1913:

    100 ANOS DA ENTRONIZAÇÃO DA TERCEIRA E ATUAL IMAGEM DA PADROEIRA NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO E BÊNÇÃO DO ALTAR-MOR DA MATRIZ DE JARDIM DO SERIDÓ-RN

    A terceira e atual imagem de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Jardim do Seridó, que está entronizada no nicho de vidro no Altar-Mor da Igreja Matriz, é moldada em gesso e mede 1,80m.
    Foi trazida de Paris, na França, na época do Padre Inácio Cavalcante de Albuquerque, décimo primeiro Vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Jardim do Seridó. A imagem foi uma oferta das moças de Jardim do Seridó e foi entronizada solenemente em 26 de novembro de 1913. O Padre Inácio construiu um novo Altar-Mor especialmente para a nova imagem, com nicho de vidro, substituindo o Altar-Mor primitivo da Matriz que devia ser de madeira com Baldaquino, conforme estilo da época da construção da Matriz. O Altar-Mor foi inaugurado em 08 de dezembro de 1913. Além da construção de um novo Altar-Mor, em estilo único conhecido, o Padre Inácio fez uma das maiores reformas na Igreja Matriz, retirando as tribunas dos corredores laterais e abrindo arcos romanos nas laterais da nave central.
    A imagem de Nossa Senhora da Conceição de origem francesa é uma das mais belas Imagens Religiosas existentes no Brasil, conforme opinião de pessoas entendidas em arte sacra. Não conhecemos outra imagem igual.
    No Alto da Conceição em Olinda, Pernambuco, existe uma estátua de cimento, ao ar livre, que é quase idêntica a imagem existente em Jardim do Seridó.
    Conforme relatos de pessoas idosas da época da chegada desta imagem, devido a sua perfeição, muitos queriam, perfurar a mesma com alfinete, para comprovar se era uma pessoa em carne e osso. Chegaram a dizer que era uma moça que tinha falecido de varíola (bexiga) e que tinha se transformado em uma santa. Além de ser para a conservação da mesma e talvez para evitar que alguém perfurasse a imagem, foi que o Padre Inácio colocou-a em um nicho de vidro, fechado a parafusos, com muita segurança.
    No passado, não sabemos em que ano a imagem foi presenteada por uma devota com uma volta (corrente) e medalha de ouro. Na década de 1950, alguém tentou roubar esta corrente, perfurando um dos vidros laterais do nicho, mas graças a Deus não conseguiu retirar a volta, somente deixou a marca no vidro.
    Em algumas ocasiões, esta imagem foi retirada do nicho durante serviços de restauração da Matriz. De 17 de junho de 1964 a 29 de novembro de 1965, esteve guardada na residência do Tabelião Sebastião Guilherme Caldas (Seu Tião) e sua esposa Josefa Freire de Amorim Caldas (Dona Fefa). Na abertura da Festa da Padroeira no final da tarde de 29 de novembro de 1965, a imagem foi conduzida na caminhonete da Paróquia, dirigida pelo Maestro Severino Ramos de Azevedo (Galinho) da casa de Seu Tião para a Matriz, onde foi recepcionada pela população com muita alegria por motivo da grande restauração que o Monsenhor Ernesto da Silva Espínola havia feito na Igreja.
    Passou outro período na mesma residência na década de 1970 e depois na casa de Maria Azevedo e sua irmã Têca, por motivos de serviços na Igreja.
    Em Procissão Solene só saiu uma vez em 08 de dezembro de 2001, na primeira Procissão do Terceiro Milênio, durante o paroquiato do Padre Joaquim José de Oliveira.
    Em 26 de novembro de 2013, celebramos com muita Solenidade os 100 anos da entronização desta imagem, Patrimônio Religioso e Cultural de Jardim do Seridó. E a 08 de dezembro, 100 anos da bênção solene do atual Altar-Mor da Matriz.
    A primeira imagem da Padroeira de Jardim do Seridó, antiga Fazenda Conceição e Povoação da Conceição do Azevedo, era uma pequena imagem de barro (terracota), esta era a imagem primitiva da Capela da Fazenda Conceição construída pelo Fundador da Cidade Antônio de Azevedo Maia Júnior, de 1790 a 1804. Esta primitiva imagem depois de destronada, foi doada a Dona Querubina, esposa de João Guarabira, que residia próximo a Matriz, à Rua Padre Justino, no 118, e que em sua casa conservava várias imagens que foram da Matriz, doadas pelos Padres. A imagem já havia sido até enterrada. Resgatada foi exposta na grande exposição Histórico-Paroquial durante as comemorações dos 100 anos da Paróquia em 1956, no andar superior da Prefeitura Municipal. O Monsenhor Aloísio Rocha Barreto guardou a referida imagem na Sacristia da Matriz e pretendia construir um nicho para a mesma. Lamentavelmente esta imagem desapareceu de um armário da Sacristia no início da década de 1960.
    A segunda imagem é em estilo barroco colonial de madeira, revestida de massa, que deve ter substituído a primitiva em 1860, quando foi construída a atual igreja Matriz, no lugar da primitiva Capela. Na década de 1950, o Monsenhor Aloísio, mandou restaurá-la na Casa Roma, no Recife, é guardada em nicho de madeira com vidros, no local do túmulo do Monsenhor Ernesto. É esta imagem que sai anualmente em procissão no dia da Padroeira, 08 de dezembro.
    Jardim do Seridó foi a primeira Cidade da Região do Seridó a retirar as tribunas, que são andares superiores dos corredores laterais da Igreja, onde os ricos participavam dos atos religiosos, obrigando os mesmos a ficarem no piso da Igreja, juntos com as demais pessoas, isto deve ter provocado um choque cultural muito grande. Em Caicó, as tribunas da Matriz, hoje Catedral de Sant`Ana só foram retiradas em 1917, pelo Cônego Celso Cicco. Em Serra Negra do Norte, na Matriz de Nossa Senhora do Ó, foram retiradas na década de 1920. Em Acari, na igreja Matriz de Nossa Senhora da Guia, ainda hoje durante a Festa da Padroeira, as tribunas são alugadas e em virtude de ser uma da Igreja muito alta, é a única Igreja do Seridó que conserva as tribunas.
    Retirar as tribunas da Igreja em 1913 e obrigar os ricos a ficarem no chão, era uma coisa impensável e inaceitável, e como sempre acontece ainda hoje, talvez, não sabemos, sem combinar com a comunidade que havia construído a Igreja.
    Nas relações dos Padres da região do Seridó, Padre Inácio Cavalcante de Albuquerque aparece de 1904 a 1905 como primeiro Vigário da Paróquia de São Sebastião de Florânia, e de 1908 a 1914 como décimo primeiro Vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Jardim do Seridó, onde substituiu o Padre Marcelino Rogério dos Santos Freire, que era idoso com 80 anos de idade, e que esteve a frente desta Paróquia por 9 anos, de 1899 a 1908 e era bem quisto na cidade. Para a época um choque de idade, pois enquanto a Paróquia se despedia de um Padre com idade avançada, acolhia um Padre relativamente jovem com idéias bem revolucionárias para o momento.
    O Monsenhor Expedito Sobral de Medeiros, que foi Vigário de Jardim do Seridó, de 1940 a 1941, contava que o Padre Inácio veio da Paraíba, pois lá já havia se envolvido em confusão. Em Jardim do Seridó apoiou e elegeu um candidato de oposição ao Coronel Felinto Elísio.
    Dona Adalgisa Oliveira, que viveu naquela época, informou que o Padre Inácio saiu de Jardim do Seridó escondido para não sofrer agressão, levado por membros da Família Nóbrega, que fazia oposição ao Coronel Felinto Elísio, Chefe Político deste Município naquela época.
    Coronel Felinto, além de político, entendia de arte-sacra e restauração de imagens. O Padre Inácio destruiu o Altar-Mor original da Matriz, retirou as tribunas, onde os ricos participavam dos atos religiosos, substituiu a imagem da Padroeira, em estilo barroco colonial por uma imagem moderna de origem francesa, considerada a imagem religiosa mais bela do Brasil por muitos estudiosos em arte-sacra. Apesar da beleza da imagem, isto talvez não agradou a muitos, especialmente os mais velhos, que estavam acostumados com a antiga imagem da Padroeira, que conheciam desde criança.
    Só sabemos que depois de ter feito tantos melhoramentos na igreja Matriz, de ter construído um novo e belo Altar-Mor e de ter entronizado uma Imagem tão bela, no ano seguinte, o Padre Inácio saiu de Jardim do Seridó e lamentavelmente não deixou nada registrado no Livro de Tombo da Paróquia, que é o Livro competente dos registros paroquiais.
    Mesmo diante das dificuldades daquela época, com a entronização da bela imagem da Padroeira e construção do novo Altar-Mor da Matriz, o Padre Inácio Cavalcante é um benfeitor de Jardim do Seridó.



    Sebastião Arnóbio de Morais
    Pesquisador da História do Seridó

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