
Uma
moradora de Praia Grande, no litoral de São Paulo, vive um drama que se
arrasta por toda a vida: batizada como homem, ela agora luta para
conseguir se casar, aos 28 anos, com o noivo. Quando nasceu, a dona de
casa Cristina Dias da Silva foi batizada pelo próprio pai com um nome
masculino. Anos depois, tentando ser reconhecida como mulher, acabou
tendo a certidão de nascimento cancelada. Por causa disso, Cristina não
tem documentos, não trabalha e não pode realizar seu maior sonho, que é
casar com o pai de suas duas filhas.
Cristina nasceu em São Vicente, mas foi registrada pelo pai em um
cartório na Bahia como Cristhian Nilma Andrade Novaes. Aos 13 dias de
vida, ela foi abandonada e deixada com uma mulher que morava em Praia
Grande. Ela acabou indo para o litoral paulista porque sua irmã mais
velha já morava na região também após ter sido abandonada. A mãe
visitava as filhas frequentemente, mas sumiu durante seis anos e voltou a
aparecer apenas quando já estava à beira da morte, para autorizar a
adoção oficial das meninas.
Quando saiu o documento de adoção, foi preciso fazer uma outra
certidão de nascimento das crianças para inserir o nome dos pais
adotivos. A irmã de Cristina mudou uma letra no nome, passou de Katia
Nima para Katia Nilma, e ganhou um novo sobrenome. Já Cristina, que se
chamava Cristhian Nilma, passou a se chamar Cristhina Dias da Silva. “Eu
falei pra juíza que queria trocar meu nome. Era muito feio. Eu passei
muita vergonha na escola por causa disso”, conta ela.
Quando saiu a nova certidão, o Fórum de Santo Amaro, em São Paulo,
mandou um oficío para o cartório da Bahia para que eles cancelassem a
antiga e validassem a nova. Mas, segundo Cristina, isso não foi feito e
ela continuou com os dois nomes antigos.

Fonte:Blog Robson Pires.